Dúvidas Frequentes

 

Terapia de Vida Passada, Psicologia e ÉTICA.

 

 

           O Conselho Federal de Psicologia – CFP (www.pol.org.br/cfp) tem como atribuição básica a regulamentação do exercício da profissão do Psicólogo no Brasil. No uso de suas funções o CFP publicou a Resolução no. 29 de 16/12/1995 que trata de uma série de práticas terapêuticas que não são reconhecidas, até o momento, pelos meios acadêmicos e científicos como práticas psicológicas.A Terapia de Vida (s) Passada (s) consta dessa relação e, portanto, NÃO PODE SER ASSOCIADA AO EXERCÍCIO PROFISSIONAL DO PSICÓLOGO. 

       O trabalho de regulamentação do exercício profissional do psicólogo realizado pelos órgãos competentes, como o Conselho Federal e os Conselhos Regionais, é de fundamental importância na preservação dos indivíduos que buscam os recursos psicológicos nas áreas de sua atuação. Além disso, a regulamentação evita a utilização indiscriminada de práticas sem consistência teórica e prática ou que não atendam ao rigor científico e/ou metodológico necessários.

         Entretanto, entendemos que toda transição de paradigmas que possam gerar novos modelos explicativos para os fenômenos humanos complexos, exige um período de tempo onde a pesquisa e a produção teórica e metodológica permitam a utilização segura pelos usuários destes serviços e a aceitação pela comunidade científica. Durante esse período de tempo, os adeptos dos novos modelos tendem a permanecer em uma situação transitória em relação às normas estabelecidas anteriormente.

        Assim, julgamos oportuno ratificar o respeito à regulamentação do CFP quanto à prática da TVP. Entretanto, participando desse esforço conjunto de milhares de profissionais no mundo todo, no estabelecimento de uma base teórico-prática e da pesquisa em TVP, temos orientado os profissionais que buscam a formação nesse novo tipo de abordagem, para que não associem seu número de Registro Profissional (CRP) a qualquer destas práticas estabelecidas pela Resolução citada.

        A partir dessa orientação o profissional não poderá associar seu número de Registro em qualquer espécie de meio de divulgação de serviços prestados como cartões, cartazes, folders etc. Além disso, deverá buscar adequar sua prática em TVP, caso esteja vincula a um Conselho Profissional, as regras para o uso de Terapias Complementares.

        A produção de trabalhos de pesquisa clínicos ou teóricos também deverão atender as normas estabelecidas pelos órgãos competentes para esse fim.

        Ao buscar essa adequação e da produção de trabalhos sérios de pesquisa, o profissional estará contribuindo para a legitimação dessa nova abordagem no campo do saber psicológico sem desrespeitar as regras e a legislação em vigor.

 

 

Terapia de Vida Passada e Espiritismo: Existe uma relação entre a Terapia de Vida Passada e o Espiritismo?

 

        A TVP é uma prática espírita porque também considera a reencarnação? Podemos fazer regressão de memória e lembrar das experiências do passado já que nascemos sem lembrar naturalmente delas?

        O fato de terem princípios semelhantes como a hipótese da reencarnação ou a consideração do homem como um ser espiritual em evolução, faz com que muitas pessoas achem que a TVP é uma prática espírita. Isso não é verdade.

         A TVP e o Espiritismo têm objetivos distintos. Em TVP o objetivo é eminentemente terapêutico, pois utiliza uma metodologia para enfrentar e superar os sofrimentos dos indivíduos. 

         A Doutrina Espírita, codificada por Allan Kardec, visa o aperfeiçoamento do homem a partir da observação de princípios morais e filosóficos tirados das comunicações dos espíritos e tendo como base a mensagem de Jesus.

     As principais aproximações entre as duas propostas são a consideração da reencarnação, o entendimento do sofrimento como um obstáculo no processo evolutivo, na possibilidade de influências espirituais externas, nas enfermidades e na necessidade de reforma de valores e atitudes como meio de superação do sofrimento.      Entretanto, a maior preocupação por parte dos espíritas, quanto à utilização da regressão de memória como instrumento terapêutico, está na possibilidade de lembrarmos o nosso passado. O esquecimento natural de nossas vidas passadas é entendido, por alguns espíritas, como algo inquestionável.

      Ao aprofundarmos nos estudos do Espiritismo, observamos que os espíritos alertam sobre os cuidados e os inconvenientes nessa lembrança, principalmente nos casos que são motivados pela curiosidade. O material revivido pode, de fato, gerar lembranças dolorosas ou o reconhecimento de pessoas que convivem conosco hoje e que foram responsáveis pelos nossos sofrimentos anteriores, causando problemas nas relações interpessoais.

      Contudo, quando utilizada com finalidades terapêuticas, veremos a regressão ser considerada por autores espirituais como André Luis, Joanna de Ângelis e Bezerra de Menezes ou encarnados como Hermínio Miranda e Jorge Andréa como recurso válido desde que realizado com critério e seriedade.

        A importância do esquecimento do passado pode ser melhor compreendida se observarmos que Kardec aborda suas implicações no capítulo 7, da parte Segunda, de O Livro dos Espíritos que trata “Da Volta do Espírito à Vida Corporal”. Ou seja, quando o espírito volta ao corpo físico, pela reencarnação, ele precisa do esquecimento para que a lembrança simultânea de todas as suas experiências passadas não causem um verdadeiro surto psicótico na personalidade atual da criança em desenvolvimento, fato que comprometeria o desenvolvimento natural dessa nova oportunidade de vida e evolução do ser espiritual.

       Outro argumento favorável à utilização da regressão de memória como instrumento terapêutico está na constatação de que só lembramos aquilo que ainda está presente no psiquismo atual do indivíduo. O terapeuta Milton Menezes, afirma que na verdade não vamos ao passado na regressão de memória, mas é o passado que está presente através do sintoma e do sofrimento de hoje, que poderia ser considerado um resíduo que precisa ser entendido e deixado para trás. Seguindo esta linha e, como envolve conteúdos emocionalmente delicados e complexos, só deve ser realizado dentro de um contexto terapêutico para que não traga problemas e desequilíbrios desnecessários.

    Como vem sendo desenvolvida por cientistas de diversas partes do mundo, a regressão de memória poderá ser entendida como um recurso que evidencia a realidade espiritual do homem, a hipótese da reencarnação como fenômeno natural e a necessidade de aquisição de valores diferentes aos que vem sendo partilhados pela sociedade contemporânea.

       As pessoas que procuram esse recurso sofrem de várias enfermidades, emocionais ou físicas. A maioria delas encontra a superação desses problemas quando identificam suas experiências anteriores e o que ainda traziam dessas experiências e que precisa ser transformado hoje. O sofrimento acaba, então, por se transformar em instrumento de conscientização da sua realidade espiritual e da conseqüente mudança de metas da sua existência. Neste sentido, a TVP e a Doutrina Espírita se aproximam de forma decisiva.

 

• Terapia de Vida Passada – MITOS E EQUÍVOCOS

- Posso regredir e não “voltar” do passado?

      Um dos grandes mitos existentes em TVP é o da possibilidade do indivíduo ficar “preso” no passado, seja por desejo próprio seja como conseqüência do processo. Isso se dá em virtude de uma compreensão equivocada de que se “vai” de fato ao passado. O processo regressivo representa a lembrança de situações que estão registradas em níveis inconscientes da pessoa que estão relacionados ao seu problema atual. As técnicas mais modernas em TVP utilizam induções verbais que provocam um leve estado ampliado de consciência, isto é, o indivíduo permanece o tempo todo consciente do processo e no controle da situação. Aliás, julgamos a consciência dos conteúdos vividos, fundamental no processo de transformação que se segue à Regressão.

 - Acho que não consigo regredir porque não consigo relaxar.

     As técnicas de relaxamento podem ser usadas como indução na Regressão de Memória mas não necessariamente. Existem, hoje, diversos recursos que podem ser utilizados na indução de um processo regressivo tais como as associações de frases significativas repetidas pelo indivíduo, recursos imaginativos, induções verbais etc. Alguns autores chegam a afirmar que algumas vezes é incoerente pretender que o cliente relaxe para acessar situações extremamente tensas.    O fato de uma pessoa não conseguir relaxar não impede que ele passe pelo processo terapêutico, desde que o terapeuta conheça os recursos adequados para o desenvolvimento da terapia.

 - A regressão pode causar um surto psicótico. Posso “pirar”?

      Não é o fato da TVP ser uma abordagem vivencial, isto é, onde o indivíduo experimenta emoções, sensações e insights intensamente, que a torna perigosa de um surto psicótico. Não é, também, a possibilidade de “revelações” sobre vivências passadas, sejam traumáticas ou pouco lisonjeiras, que pode causar uma desestruturação psíquica grave.      Todo processo psicoterápico, conduzido inadequadamente, poderá gerar um prejuízo psíquico no indivíduo. O mais importante é o processo ser conduzido por um profissional da área de saúde que esteja preparado para avaliar a necessidade e a indicação desse tipo de terapia. Bem conduzida, a terapia pode trazer resultados positivos ao indivíduo. 

- Quantas regressões vou fazer para ficar bom?       Muitas pessoas julgam que vão fazer algumas regressões de memória e pronto! Ficarão boas de seus problemas.      A TVP como todo processo terapêutico exige um conhecimento amplo do cliente pelo terapeuta, sua história de vida, sua estrutura emocional e psicológica geral, histórico de outras enfermidades, etc.

     A TVP não se resume, como muitos ainda pensam, na aplicação da técnica regressiva. Na verdade, a regressão é apenas o primeiro momento de um processo que se completa com uma ampla intervenção nos aspectos emocionais, cognitivos e comportamentais do indivíduo. A partir do material lembrado e tornado consciente pela regressão, serão desenvolvidos vários procedimentos para a transformação do indivíduo que vão muito além dos sintomas aparentes do seu problema.    

     Desta forma, não podemos nunca, a priori, definir se a pessoa vai superar sua dificuldade com uma duas ou três regressões como alguns processos prometem. 

 - Quero regredir para saber se fui alguém importante na História.

    O reconhecimento de nossas personalidades e das pessoas que conviveram conosco não é um objetivo terapêutico em TVP.     Como o nome sugere, o processo é de Terapia, isto é, estamos sempre objetivando a superação da dor e do sofrimento das pessoas e não questões de curiosidade. Costumo dizer que não somos uma Agência de Turismo para o Passado, mas terapeutas. Todas as vezes que somos procurados para essa finalidade orientamos as pessoas sobre os objetivos e as indicações da TVP. Aliás, o fato de termos sido mais importantes na história não é, por si, só um motivo de orgulho. Muitas vezes, esses grandes personagens foram protagonistas de grandes excessos e erros causadores de desequilíbrios na vida atual. 

 – Quero conhecer meus mestres espirituais através da TVP.

    Este costuma ser outro grande equívoco nas pessoas que procuram a TVP. A TVP tem como finalidade o tratamento de enfermidades cuja origem possa estar em conteúdos inconscientes vividos em situações do passado. A possibilidade de experimentar estados alterados de consciência, realmente predispõe as pessoas à vivência de diversos aspectos de sua realidade espiritual pela ampliação de sua capacidade de percepção dessas realidades mais sutis.   Entretanto, isso não se transforma em uma condição ou objetivo necessário do processo terapêutico. A observação da influência espiritual no processo terapêutico deve ser considerada com cuidado pelo terapeuta, evitando que se desvirtue os objetivos terapêuticos. Não é por tratar da realidade espiritual do indivíduo que o processo da TVP deva ser confundido com práticas e fenômenos mediúnicos, sob o risco de comprometer, eticamente, a ação do terapeuta.  

 - Não posso levantar o “véu do passado” pela regressão.

    Não nos é permitido lembrar de nosso passado.Muitas pessoas, especialmente espíritas ou espiritualistas, acreditam não ser recomendado o processo regressivo por promover a lembrança dos conteúdos do passado que está naturalmente encoberto por uma espécie de véu. Alegam que, se fosse para ser lembrado, já nasceríamos com essa possibilidade.

      O esquecimento é realmente um mecanismo de proteção do psiquismo pois se, ao reencarnar, o indivíduo pudesse lembrar de todas as suas vidas passadas, sofreria um impacto profundo que impossibilitaria a estruturação de sua personalidade na infância.

      Isso não quer dizer, necessariamente, que o indivíduo não possa se lembrar de suas experiências anteriores com uma finalidade séria.

     Poderíamos, inclusive, dizer que o indivíduo não vai ao passado na regressão de memória: é o passado que já está no presente como manifestação no sofrimento ou sintoma da vida atual. O sintoma é uma ponta do passado que ainda não foi integrado de forma adequada no psiquismo.

      Assim, a TVP permite a elaboração desses conteúdos inconscientes e a superação dos seus efeitos na vida atual. 

 - Crianças podem fazer Terapia de Vida Passada?

    Sim. Evidentemente, o processo terapêutico utilizando a Regressão de Memória deverá ser diferenciado em relação aos adultos. O terapeuta que pretende atender crianças deve conhecer não apenas as técnicas regressivas mas, principalmente, as nuances do psiquismo infantil. Em cada Etapa do desenvolvimento psicomotor da criança temos algumas funções psicológicas em desenvolvimento que devem ser observadas com muito critério para a aplicação da metodologia mais adequada. No tratamento de crianças e adolescentes, vão ser aplicadas diversas técnicas e recursos que sejam adequados ao estágio de desenvolvimento psicomotor e cognitivo deste cliente.        Além disso, a participação da família é de fundamental importância, tendo em vista que a maioria dos problemas relacionados à terapia com crianças e adolescentes possui um importante componente sistêmico, ou seja, envolve padrões e aspectos do grupo familiar e não exclusivamente da criança.  

- À partir de que idade elas regridem?

    O Terapeuta deverá realizar uma avaliação inicial em cada processo, pois não podemos generalizar que as crianças possam fazer a Regressão de Memória a partir desta ou daquela idade. A maturidade emocional e cognitiva, o processo de desenvolvimento psicomotor, dentre outros aspectos devem ser observados para a escolha da técnica. É importante fazermos uma diferenciação entre a técnica da Regressão de Memória e o fenômeno regressivo.

    Com o adulto, normalmente, iremos utilizar uma técnica tradicional de Regressão de Memória com uma Indução, o desenvolvimento da sessão, onde o cliente é levado a vivenciar os conteúdos traumáticos que estejam ligados ao seu problema, e depois, uma etapa de Transformação, onde ajudamos o cliente a ressignificar os conteúdos vivenciados e ajudamos na modificação dos padrões e comportamentos na vida atual.

    Com crianças e adolescentes, serão utilizadas técnicas e recursos diferenciados que permitirão que acessem também este conteúdo mas de forma compatível com o Nível e Estágio de desenvolvimento em que se encontrem. Com isso, eles também “regridem”, pois acessam de uma forma protegida estes conteúdos. Daí a importância de que o terapeuta seja também um profundo conhecedor do psiquismo infantil e adolescente.  

  - Tem algum perigo em fazer TVP com Crianças?

     Como temos dito, o maior perigo está no despreparo do terapeuta e não no processo em si. No caso da Terapia de Vida Passada com crianças e adolescentes, o fator mais importante é o terapeuta conhecer profundamente o psiquismo infantil e as fases do desenvolvimento psicomotor até a adolescência. Depois disso, a escolha do método mais adequado para cada caso, minimiza qualquer tipo de risco existente. Em função da menor capacidade de racionalização em fases mais infantis, por exemplo, o terapeuta deverá privilegiar métodos mais lúdicos que abordem os conteúdos inconscientes sem a experiência vívida. Muitas pessoas acreditam que as crianças poderiam sofrer traumas com a experiência de Vida Passada. Isto não é verdade, de modo geral. Um dos aspectos curiosos é que as crianças tem até muito mais facilidade de acessar os conteúdos inconscientes que traz do seu passado que os adultos. Sabemos hoje, que o processo reencarnatório só vai se completar na adolescência e que até os 8 a 9 anos, a criança tem maior facilidade de acessar, espontaneamente, esses conteúdos. Daí, muitas vezes a origem do terror noturno, “visões de amigos imaginários”, etc..

    O mais importante é o terapeuta ter a consciência de respeitar os limites que o psiquismo da criança ou adolescente impõem. Observados esses critérios terapêuticos, o processo não oferece maiores perigos que uma terapia convencional.